“A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me
dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre
dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a
utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”
Este artigo não pretende traçar a biografia do renomado
escritor, mas fazer um rápido apanhado de como a mídia corporativa “homenageou”
Galeano, quem por suas ideias e propostas culturais antiamericanas foi
perseguido e jurado de morte pelos ditadores militares que varreram a
democracia na Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Paraguai. Não poderia ser de
outra forma senão espezinhando a trajetória política de intelectual
progressista que combatia através da luta ideológica a sanha colonialista do
império do norte e de seus consortes europeus em cima da América Latina,
amiudadamente distorcendo declarações e dando asas a interpretações grotescas.
Como “alvo” principal a mídia bombardeou a obra máxima de Galeano, “As veias
abertas da América Latina”, qualificando-a como um “libelo esquerdista
anacrônico” corroborando com a declaração do autor segundo o qual “não teria
paciência para lê-la novamente”.
