Como era de se esperar, pelo menos quem já se acostumara ao “modus
operandi” da CIA e do Mossad (possíveis emuladores da carnificina a serviço da
extrema direita xenófoba francesa), os “culpados”, os irmãos Said e Chérif
Kouachi, pelo massacre dos cartunistas do Charlie Hebdo foram hábil e rapidamente
“descobertos” pelos “eficientes” órgãos de inteligência da polícia francesa.
Tanta “destreza” que os “medonhos” fundamentalistas islâmicos foram devidamente
sentenciados: atiradores de elite executaram-nos à bala, impossibilitando
qualquer interrogatório dos “suspeitos”, ou seja, quando se tens um problema
elimine-os o mais rápido possível. Marx advertira-nos há tempos que quando a
história se repete elavem como farsa! Este desfecho lembra o que aconteceu após
os atentados da Maratona de Boston (EUA), em 2013, quando dois jovens chechenos
muçulmanos imediatamente acusados foram perseguidos e mortos covardemente em
uma ação espetacular da racista polícia americana.
Em todos os atentados promovidos pela extrema-direita, em geral
neonazistas, os muçulmanos “culpados” sempre a priori são exemplarmente
executados, tomados como bodes-expiatórios de ações terroristas, articuladas
nas entranhas obscuras de governos e agências de inteligência (CIA, Mossad...),
cujo objetivo é inculcar-lhes toda a responsabilidade pela selvageria e
brutalidade, como algo intrínseco à sua cultura e religião.
Aliás, desde o início, a orquestração do massacre
pareceu uma farsa, nada bate bem: a começar pelo método de ação dos
“terroristas”, logo acusados de pertencerem ao fundamentalismo islâmico; ora,
estes não usam capuzes em suas ações (a indumentária é característica de grupos
paramilitares), a redação da Charlie não se constituía em um alvo tipicamente
militar (apesar do conteúdo provocador e amiúde de baixo nível estético de algumas
de suas charges, não obstante a serviço da islamofobia ocidental – uma coisa é
criticar/combater a religião com os métodos do marxismo; outra totalmente
distinta é zombar de uma crença); a “missão” não corresponde à ideologia
jihadista, pois esta não se limita a matar os ateus, mas a destruir tudo o que
estes produziram, uma vez que “ofendem a Deus”; aqui, o mais inacreditável, os
atiradores fugiram – jihadistas não fogem, a maioria morre – em um carro em
cujo interior foi “esquecida” uma identidade de um dos autores da ação, o que
teria supostamente favorecido a perseguição do mesmo. Isto é no mínimo uma
piada, como um grupo ou pessoa porta seus documentos numa tão arriscada
empreitada? Somente os tolos podem acreditar na versão da polícia! Ainda mais
que à véspera do massacre várias manifestações xenófobas e anti-imigração
aconteceram em quase toda a Europa, principalmente na Alemanha. Teríamos que
sermos muito ingênuos para afirmar que a invasão da Charlie neste contexto
completamente desfavorável foi perpetrada por uma organização islâmica (Al
Qaeda ou Estado Islâmico). Outrossim, os chamados “fundamentalistas” não
fabricam armas, eles as recebem de quem tem tecnologia e rede de distribuição,
ou seja, as grandes potências imperialistas e suas agência de inteligência.
A mídia corporativa, não foi surpresa, logo tratou de desencadear uma
gigantesca e grotesca campanha de comoção internacional pelos mortos no
atentado, com ladainhas acerca da “liberdade de expressão”, ataque à democracia
ocidental e estúpidas comparações com os atentados de 11 de Setembro de 2001.
Em se tratando das organizações murdochianas como a Globo, os jornalões Der
Spiegel, Le Figaro, Le Nouvel Observateur, Clarín, Folha de S.Paulo etc., é no
mínimo um desaforo e muita cara de pau falar em liberdade de imprensa para quem
tem o monopólio da informação e a utilizam a seu bel-prazer. Cabe ressaltar que,
lamentavelmente, a maioria da esquerda comprou acriticamente a versão da
imprensa pró-imperialista e golpista. Quando o agressor é fascista-católico
(branco), por exemplo, o norueguês Breivik que matou 68 jovens do partido trabalhista
em 2011 não foi fabricada esta comoção (sendo tratado inclusive como herói,
diga-se de passagem!) na opinião pública.
Necessário lembrar que o próprio governo Hollande sancionou várias leis
restritivas ao livre expressar do povo muçulmano na França, chegando ao cúmulo
de decretar ilegais manifestações de apoio à Palestina quando do criminoso
bombardeio à Faixa de Gaza pelo nazissionismo de Israel ou aos protestos contra
a pilhagem francesa das suas colônias (Mali, Costa do Marfim e República Centroafricana)
na empobrecida África, onde diariamente a população morre aos milhares quer por
indigência quer por doenças infecciosas (ebola). Fome, doença, miséria não
causam comoção internacional, pois são partes integrantes e necessárias para o
funcionamento do modo de produção capitalista.
A tendência à fascistização e o incremento da repressão no Velho
Continente é uma via de mão única para o imperialismo ianque e sua sanguinária máquina
de guerra, dissemina as intrigas políticas no sentido de fomentar novos
atentados na Europa, a fim de lapidar governos cada vez mais afinados com a sua
sanha antiterror. Na França o clima islamofóbico abre alas para um futuro
governo da fascista senhora Marine Le Pen (herdeira política de seu pai), derrotando o frágil PSF de Hollande. Abrir
porteiras para novas invasões militares da OTAN, eis o objetivo do falcão negro
Obama, respondendo aos anseios de classe visando a um próximo governo
republicano encabeçado provavelmente por Jeb Bush. Para tais objetivos o
imperialismo se vale de suas criaturas mercenárias que têm a macabra finalidade
de destruir os regimes que se colocam minimamente como empecilhos a seus
negócios em todo o planeta. Assim é a Al-Qaeda, o “Estado Islâmico”
(mercenários financiados pela OTAN para destruir o povo sírio e o governo
Assad), assim foi com Saddam Hussein, Noriega na América Central, Pinochet, a
ditadura no Brasil, etc etc... O massacre de Charlie Ebdo foi antes de mais
nada uma orquestração ordenada desde os bastidores de Washington e Tel Avid com
a finalidade de agradar os neocon e falcões liberais sedentos por guerra e novas
inversões da indústria bélica. No final das contas, a burguesia francesa e a
extrema direita pretendem passar o rodo sobre as já combalidas conquistas dos
trabalhadores e levar adiante seus projetos de expulsar muçulmanos do país, ou
seja, o regime político se fechará ainda mais e com drásticas consequências
para o proletariado europeu e mundial.
