O
|
UMA ORQUESTRAÇÃO DOS ESTRATEGISTAS DA CASA BRANCA E DA CIA
A crise que se abate sobre o governo da frente popular é
fruto do andar de suas próprias pernas, ou seja, de sua política neoliberal de
ataque às condições de vida dos trabalhadores. No entanto, é agravada por
interesses de grandes grupos capitalistas ligados aos rentistas internacionais
e ao imperialismo norte-americano. Os inúmeros protestos que ocorreram no
domingo são a expressão destas tendências. Uma operação urdida pelas agências
de inteligência do imperialismo ao lado dos estrategistas da Casa Branca. Não
por acaso, mereceu destaque no editorial do jornal russo Pravda (sendo a
Rússia alvo de ataques do imperialismo ianque nos últimos anos é um bom sinal
de alerta): “É bem possível que a CIA está envolvida no plano para encenar
tumultos no Brasil em todo o país. Ao longo dos últimos anos, o BRICS se tornou
a principal ameaça geopolítica para os Estados Unidos. Um dos principais
problemas de hoje para a imprensa ocidental é recuperar o equilíbrio no sistema
monetário e financeiro global. Esta é uma ameaça potente que BRICS representa
para os EUA e ao dólar americano” (http://english.pravda.ru/world/americas/13-03-2015/130028-brazil_dilma_rousseff_color_revolution-0/).
Basta lembrar, que sob o pretexto de controlar e mapear o tráfico de drogas, a
CIA, DEA e FBI atuam livremente no Brasil ao lado de ONGs que promovem as
chamadas “revoluções democráticas” em países opositores ao regime de Washington
e, segundo fontes seguras, mais de 500 agentes se encontram nas embaixadas
americanas no Equador, Venezuela, Bolívia, Argentina e Cuba, com o objetivo de
monitorar e dirigir processos desestabilizadores nestes países, valendo-se da
cobertura dos grandes meios de comunicação da mídia corporativa, destacadamente
a Globo da “famiglia” Marinho. A Globo destila seu ódio contra o PT porque
consta como a maior sonegadora de impostos e é parte integrante da lista do
“SwissLeak” e tantas outras falcatruas.
Algo similar vem acontecendo na Argentina e Venezuela,
incentivados da mesma forma pelos grandes meios de comunicação e os setores
mais reacionários daqueles países, o que evidencia uma nova ofensiva
imperialista sobre a América Latina destinada a recolonização e rapinagem de
seus recursos naturais. Brasil, Argentina e Venezuela são as economias mais
fortes latino-americanas e, portanto, são o alvo principal do neofalcão Obama.
Por estas razões, afirmar como fazem os governistas de plantão, de que se trata
da exigência de um “terceiro turno” das eleições presidenciais no Brasil significa
reduzir a crise a uma mera instabilidade eleitoral e colocar tudo como se fosse
produto da articulação do tucanato que dividiu o país em número de votos – mas
e os quase 38 milhões de votos nulos e abstenções, onde entram? O “agente
oculto” não é o PSDB, tal qual pensam certos setores míopes da esquerda
trotsquista e a blogsfera chapa branca, mas o imperialismo! A tucanalha é
apenas a coadjuvante política associada. Como podemos ver, a situação é muito
mais profunda do que aparenta. Assim, foi coincidência a crise da Petrobras ter
sido deflagrada logo após a visita de Joe Biden ao Brasil para tratar de
abertura de capital da estatal para grandes empresas petrolíferas americanas? Logo
após, Dilma foi acusada de ter recebido “propinas” de contratos de empresas de
petróleo cujo dinheiro teria sido usado para comprar deputados no Congresso.
Isto sem falar na farsa do julgamento do “mensalão” um ano antes.
PREPARAR DESDE JÁ A GREVE GERAL CONTRA OS “AJUSTES”
NEOLIBERAIS DO GOVERNO DILMA
“Mensalão”, “Petrolão” a estratégia do imperialismo passa
por difundir através da mídia oligopsônica a ideia de incapacidade do governo
federal em solver a crise política oriunda do déficit fiscal, instabilidade
cambial, a corrupção desenfreada no Estado, promover a demonização das esquerdas,
principalmente o PT que gerencia os negócios da burguesia, incentivar
financeira e politicamente agitações de rua contra o governo federal até que
este caia em esgotamento, fundamentando a tese de impeachment da presidente. Em
síntese, atribuir a crise da Petrobras, a perda de controle da frente popular
no Congresso Nacional à ação dos tucanos é no mínimo uma ingenuidade política
muito grande. Mas é óbvio também que o governo Dilma tem culpa no cartório, ao
promover um tarifaço logo após assumir seu segundo mandato e flexibilizar leis
pétreas dos trabalhadores (MPs 664 e 665) como o seguro desemprego e pensões
por morte de conjugue. A ofensiva neoliberal da equipe palaciana empurrou uma
parcela de trabalhadores para os protestos, não há como negar. Porém, o
desfecho da mobilização do dia 15 foi colocar o governo petista ainda mais na
defensiva, refém dos reclames da direita brasileira e marionete dos interesses
do imperialismo no país.
O nefasto “ajuste fiscal” do carrasco Joaquim Levy e o
ataque especulativo sobre o Brasil cujo Dólar atingiu os R$ 3,25 - com a
perspectiva de chegar a R$ 4,00 - só poderão ser combatidos através da ação
direta independente do proletariado nacional, organizando a partir das bases
(assembleias sindicais, sem-terra, estudantes, movimento popular) uma
paralisação nacional que coloque no centro das reivindicações a defesa da
Petrobras enquanto estatal sob controle dos trabalhadores e abaixo o programa
neoliberal deste segundo mandato da presidente Dilma, rumo à construção de uma
greve geral.
